quarta-feira, 22 de abril de 2009

Negros e Brancos

Realizamos este trabalho com a turma da 4ª série da colega Marisete, onde trabalha a História do RS, na qual abordamos a etnia racial do nosso estado.
Aproveitamos que já estávamos pesquisando sobre a origem da população rio-grandense.
Os alunos pesquisaram suas origens, trazendo fotografias, gravuras que as identificassem, onde nós professores podemos interagir, pois também somos descendentes de índios, alemães, italianos, portugueses e negros.
Falamos sobre todas as etnias, e podemos nos encontrar em algumas delas.
Eles fizeram uma referência quanto a dificuldade de encontrar imagens de negros comuns (não famosos), dentro da sociedade. Nos livros didáticos de História sobre o negro no Rs, a figura negra é caracterizada, simbolizando pobreza, doença, escravidão, babás. Na televisão, o papel que os negros representam nas novelas empregadas domésticas, amas de leite, negras que cuidavam da sinhazinha. Hoje nas novelas atuais eles já ganharam papéis diferentes, mas algo que foi constatado nesta aula foi que ainda existe o racismo.
Contamos uma história verídica que aconteceu aqui no Balneário Arroio Teixeira, com um amigo e vizinho de Osório, que trouxe junto sua esposa e a filha menor. Eles vieram num final de semana, no inverno. Ele saiu para caminhar um pouco e conhecer a praia, em menos de meia hora voltou e nos contou que: voltei, pois todas as pessoas que estavam em casa ficavam me olhando, achando que eu poderia ser um ladrão. Não precisou dizer o motivo, pois sabíamos o porquê dos olhares.
Então surgiu o momento do questionamento aos alunos, eles estavam muito curiosos. Deixamos claro que conversassem entre si, pensassem e levantassem hipóteses, pois eles teriam que trazer a resposta, e saber o porquê do acontecido.
Levamos as crianças pensarem, pois sabemos que eles trazem consigo um aprendizado e poderemos construir juntos, a conclusão, deste acontecimento.
Colocamos a foto do vizinho bem destacado no mapa (iniciando o nosso trabalho com o mosaico), na parte inferior do RS. Quando viram a foto, acharam que fosse do presidente dos EUA, então esclarecemos que era justamente do amigo ao qual estávamos falando. Concluímos, então que se tratava de racismo, já que possui a pele negra, o racismo ainda está muito presente neste início de século, mas que podemos fazer com que a história seja diferente, pois sempre vamos lutar pela igualdade de todos, e que simplesmente a cor da pele não torna um negro inferior que qualquer outro tipo de pele.
Pedimos autorização para contar, e colocar a foto no trabalho, pois ele vai para a internet.
Percebemos, com a realização do trabalho, que o assunto ainda causa certo desconserto entre as crianças, parecendo que possuem preconceitos, dando margem para novos trabalhos em relação ao assunto.



Comentário:

Sou da década de 50, portanto fui criada dentro do racismo, minha mãe não queria que namorássemos pessoas negras e muito menos que casássemos com negros. Em 1979, meu irmão passou a namorar uma descendente de negros.
Meu irmão mais novo que eu oito anos e sabendo que nossa mãe não iria concordar me pediu para interceder por ele.
Conversei com ela a respeito, justificando que a moça era uma morena clara e tinha os olhos verdes, que era de boa família. Depois de muita conversa, minha mãe concordou com o namoro. Aos poucos foi conhecendo-a, gostando dela tratando-a como filha.
Quando meu irmão desmanchou o namoro nossa mãe ficou muito triste, não querendo a separação dos dois.
Trago este assunto para comparar com o que está acontecendo em nossa sociedade, onde existem pessoas que se acham melhores que as outras simplesmente por ter uma cor de pele diferente. Hoje temos leis que protegem os negros por discriminação racial, levando qualquer cidadão preso se for provado racismo.
As etnias já estão mescladas aqui no Brasil, fazendo com que sejamos um povo singular. No contexto atual, as professoras abordam o assunto etnias, em sala de aula, de forma que nenhuma raça se sobreponha a outra.
Na atualidade percebemos um racismo camuflado perante os negros. Nosso amigo Joni Delmar Quintanilha, parecido com o Presidente dos EUA, foi prova desta camuflagem, por ser negro, numa praia em que a maioria dos veranistas é descendente de Italiano e Alemã.
Quando aparece um negro, na praia, percebe-se que a sua presença causa medo, pois supõem no pensamento dos racistas que, provavelmente ele está observando os banhistas para depois roubá-los.

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